Introdução ao II – SETESP

Afirma Joanna de Ângelis na mensagem “A Grande Transição”:

“Não serão apenas os cataclismos físicos que sacudirão o planeta, como resultado da lei de destruição geradora desses fenômenos, como ocorre com o outono que derruba a folhagem das árvores, a fim de que possam enfrentar a invernia rigorosa, renascendo exuberantes com a chegada da primavera; mas também os de natureza moral, social e humana que assinalarão os dias tormentosos, que já se vivem. Os combates apresentam-se individuais e coletivos, ameaçando de destruição a vida com hecatombes inimagináveis. A loucura, decorrente do materialismo dos indivíduos, atira-os nos abismos da violência e da insensatez, ampliando o campo do desespero que se alarga em todas as direções. Esfacelam-se os lares, desorganizam-se os relacionamentos afetivos, desestruturam-se as instituições, as oficinas de trabalho convertem-se em áreas de competição desleal, as ruas do mundo transformam-se em campos de lutas perversas, levando de roldão os sentimentos de solidariedade e de respeito, de amor e de caridade…[1](Grifos nossos).

Diante deste cenário da transição planetária, vivenciada por cada um de nós, principalmente nas terras brasileiras; seja assistindo os telejornais ou visualizando as redes sociais da internet, seja ao nosso lado, pela descrição de nossos vizinhos e amigos, perguntamos: Como podemos evitar que se esfacelem os lares?  Como fazer para que os relacionamentos afetivos sejam duradouros e verdadeiros? Como estruturar as instituições beneficentes e espiritualistas de forma a possibilitar o crescimento de todos? O que fazer para que nossas oficinas de trabalho não se convertam em áreas de competição desleal e de rotina e tédios torturantes; que as ruas do mundo transformem-se em campos de lutas perversas? Principalmente, como podemos evitar que os sentimentos de solidariedade e de respeito, de amor e de caridade sejam levados de roldão? Resumindo, como poderemos colaborar com a transição planetária?

Aristóteles (384-322 a.C.), filósofo grego, discípulo de Platão, escreveu ao seu filho um tratado de Ética que até hoje é uma referência para a humanidade: “Ética a nicômaco”. Neste livro ele define virtude (latim: virtus; em grego: ἀρετή) como o grau de excelência prática possível ao ser humano. Aristóteles conclui que a virtude é um meio termo entre oposto. Em relação ao medo e à temeridade, o meio termo é a coragem; em relação à avareza e à prodigalidade, o meio termo é a liberalidade; em relação à desonra e à honra, o meio termo é a magnanimidade; entre a apatia e a irascibilidade, o meio termo é a amabilidade; entre a inveja e o despeito, o meio termo é a indignação justa, entre outros. A Justiça é a maior virtude, pois é exatamente agir com imparcialidade, isto é, o meio termo. Segundo ele a virtude não é dada ao homem inatamente, mas é através da prática, do hábito, da educação que nos tornamos virtuosos.

Posteriormente ao apogeu greco-romano a igreja cristã dominou durante toda a idade média e criou suas próprias virtudes. Segundo o catolicismo as virtudes são divididas em dois tipos: a) Teologias – Fé, Esperança e Caridade [2] b) Virtudes Humanas: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.  Para contrariar e opor-se aos sete pecados capitais, (Orgulho, Inveja, Ira, Indolência, Avareza, Gula e Luxúria) definiu outro tipo de organização das virtudes, que é baseada nas chamadas sete virtudes: castidade, generosidade, temperança, diligência, paciência, caridade e humildade.

Estas virtudes poderiam responder as necessidades da humanidade no século XXI em plena transição planetária, nos diversos desafios individuais e sociais já apresentados? Pensamos que não, pois não são as virtudes pensadas para nossa época.

Allan Kardec, no final do século XIX, a cento e cinquenta anos atrás, sob a orientação de espíritos superiores buscou recuperar as virtudes primitivas ensinadas pelo Mestre nazareno no livro “Evangelho Segundo Espiritismo”. Invocando Sócrates e Platão como precursores da ideia cristã, refaz o sentido das virtudes da fé, porém raciocinada; da resignação, porém atuante e com conhecimento de causa e com vista no futuro; da humildade, porém na perspectiva da evolução infinita; da pureza de coração, porém no seu sentido espiritual; da brandura e da não violência, sem conivência com os erros agindo proativamente no bem; da misericórdia, porém aliada a educação; do amor, porém no seu sentido mais amplo e profundo, de fraternidade universal, inclusive aos inimigos, transformando-os em amigos; da caridade material e moral, porém sem ostentação; da piedade filial e familiar, porém considerando a família espiritual; do desprendimento dos bens terrenos em função dos bens espirituais, porém sem desconsiderar a riqueza como meio de se fazer o bem; da perfectibilidade humana, porém sem esquecimento da caridade, entre outras.

No capítulo XVII – Sedes perfeitos, publica uma mensagem de François-Nicolas-Madeleine que afirma: “A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso.”

Seriam estas virtudes, descritas no “Evangelho Segundo Espiritismo”, suficientes para enfrentarmos os cenários da humanidade no século XXI em plena transição planetária, nos diversos desafios individuais e sociais já apresentados?

Seria necessário refletirmos sobre elas, contextualizando-as para nossa realidade ou seria necessário à criação de novas virtudes para um mundo tão novo, tão cheio de tecnologia, de maravilhas e de misérias?
Ou seriam necessários os dois, pensar novas virtudes e contextualizar as virtudes já apresentadas por Jesus e outros grandes missionários do planeta Terra?

É para pensar e refletir sobre estas questões que nos propomos a realizar o II-SETESP.

Tema geral do II – SETESP: Virtudes para o século XXI

Objetivo Geral do II – SETESP:

Pensar e debater as virtudes necessárias para os homens e suas instituições diante dos grandes desafios individuais e coletivos do século XXI e da transição planetária para um mundo de regeneração.